Doçura contagiante

Doçura contagiante

Selma Oliveira mudou-se de cidade para buscar uma vida mais doce. E agora tem o seu próprio negócio na confeitaria.

Águas formosas. Cidadezinha pequena, localizada em Minas Gerais, com uma população de não mais que 20.000 habitantes. Foi lá em que nasceu e cresceu Selma Oliveira. Lá não. Em uma fazenda afastada da cidade. Vivia com seus pais, suas três irmãs e dois irmãos.“Eu não tinha contato nenhum com o mundo da gastronomia. Aliás, até os dez anos eu não tinha luz elétrica na minha casa”, conta.

Típica vida de interior da década de 1970. Seu pai criava vacas, tirando leite e vendendo na cidade. Além disso, cuidava das plantações. “Nós filhas nunca fomos trabalhar na lavoura, ficávamos como donas de casa”, afirma.

Foi aos dez anos em que seu pai conseguiu levar energia elétrica para a fazenda. “Foi quando eu conheci a TV. E me apaixonei pelos programas de culinária. Eu ficava alucinada de ver aquelas receitas”, relembra.

A curiosidade em relação à cozinha de fato sempre existiu. Observava tudo e a todos. “Eu perguntava como fazia, pedia a receita e quando chegava em casa eu sempre testava”, conta. Aprendeu principalmente tudo na prática. Comprava livros e mais livros para estudar as principais técnicas e processos. Depois, quando mais velha, teve a oportunidade de fazer diversos cursos, desde os mais simples até com chefs renomados. “E continuo fazendo, porque é uma área que não tem fim, cada dia aparecem coisas novas”

Quando criança, os estudos no interior iam até o ensino primário, passando pelos ensinamentos básicos de cada área. Aqueles que desejavam ampliar seus conhecimentos deveriam ir para a cidade grande. “Eu tinha o grande sonho de estudar, fazer uma faculdade, mas ia fazer alguma coisa relacionada à fazenda, veterinária para cuidar da vaca, ou agronomia”. Selma finalmente conseguiu mudar-se para São Paulo, aos 24 anos.

Entretanto, por circunstâncias da vida, teve que buscar um trabalho para se sustentar. “Hoje, pela lei, você trabalha oito horas, folga, vai para casa, mas há vinte e tantos anos atrás você meio que vivia numa prisão”. Pela forma como os direitos trabalhistas funcionavam antigamente, Selma não tinha tempo para trabalhar e, de maneira idêntica, dedicar-se aos estudos. 

“Eu sempre gostei de crianças, até havia trabalhado numa escolinha lá na fazenda. Então, fui ser babá”. Atuou por mais de vinte anos na área, todos vivenciados na mesma casa de uma mesma família. Com o tempo, as crianças cresceram, e não havia mais a necessidade de ter uma pessoa como babá. “Minha patroa me fez o convite para continuar na casa, porque eu já fazia sobremesas quando tinha festas, com alguns pratos mais elaborados. Ela ofereceu para eu ficar como cozinheira e ela ia divulgar o meu trabalho para a família e amigos”

Aceitou a proposta. Afinal, após mais de 20 anos cercada por aquelas pessoas ela também já era praticamente da família. Enfim, com um pouco mais de tempo para si mesma, voltou a estudar e concluiu o ensino médio. Depois, os negócios gastronômicos começaram a se desenrolar. 

Com a divulgação entre os conhecidos, cada vez mais recebia encomendas para os mais variados dos preparos. Mas o seu encanto é mesmo com as sobremesas. “Eu amo a confeitaria. Tudo nela me encanta. Acho que é porque exige precisão, técnica, então não há espaço para improviso”, explica. Desde os brigadeiros mais simples aos bolos mais elegantes e caprichados, Selma mergulhou no mundo da confeitaria.

Em 2014, paralelamente ao trabalho como cozinheira na casa que a recebeu, abriu o Selma Oliveira Doces. “Foi por insistência de uma amiga, que vivia me falando que meus doces eram muito gostosos”. Como resultado, criou suas redes sociais no Facebook e no Instagram para divulgar o trabalho, mas continua trabalhando informalmente. Em 2017, recebeu uma encomenda para uma grande empresa, o que a obrigou a entrar no mercado formal, criando sua própria MEI.

A partir daí seu sucesso com a confeitaria só cresceu. O trabalho é feito sobretudo por encomendas, sem restrição de quantidade, e para qualquer tipo de evento, seja corporativo, para casamentos ou aniversários. Selma recebe o apoio de sua irmã para a parte administrativa, e de uma auxiliar para enrolar os doces. “Sou só eu quem coloco a mão na massa. Ninguém coloca a mão”, garante, aos risos.

Embora utilize as redes sociais, a principal divulgação é feita no boca a boca, que faz com que a empresa cresça cada vez mais e com que as pessoas queiram conhecer seu trabalho. Além das encomendas, Selma também costuma participar de feiras e bazares, onde as pessoas podem degustar os seus doces.

O futuro é incerto, mas cheio de expectativas. Seu grande sonho é ter uma cozinha profissional, com equipamentos de ponta para que possa crescer ainda mais no ramo da confeitaria e pegar grandes pedidos. Mas, acima de tudo, o desenho daquela menina da cidadezinha de Águas Formosas ainda a acompanha. “Quero fazer a faculdade, mas quero fazer gastronomia. Agora a minha vida está muito corrida, não tenho tempo para me dedicar a isso. Mas eu quero fazer essa faculdade, não desisti; É o meu grande sonho”, finaliza.


Instagram: @selmaoliveiradoces

Contato: selmaboliveira@hotmail.com / (11) 9 5954-3776

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Foto destaque de: Selma Oliveira



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